Assim como compramos seguros para carros, casas e até mesmo para a nossa vida, também é possível usar um instrumento parecido para proteger os nossos investimentos de eventos inesperados de alto impacto negativo. Por isso, neste artigo você vai entender Como Fazer o Seguro de Carteira de Investimentos.

Imagine a situação que o seu carro não tenha seguro, você deixaria ele estacionado à noite na rua em um bairro perigoso? Provavelmente não.

No entanto, muitas pessoas fazem com o seu dinheiro exatamente o raciocínio oposto: elas investem com a confiança de que nada vai dar errado.

O segredo para o sucesso na Bolsa (além de Escolher Boas Empresas) consiste em saber se expor ao mercado da maneira correta.

O Seguro de Carteira nada mais é do que uma proteção para limitar as perdas no caso de algo muito ruim acontecer, evento também conhecido como Cisne Negro.

Cisnes Negros são eventos totalmente imprevisíveis e que jogam o mercado inteiro para baixo, gerando pânico entre os investidores. No Brasil, acredito que o mais emblemático que aconteceu recentemente foi o “Joesley Day

Como Fazer Um Seguro De Carteira

Assim como a casa, o carro e outros bens, também é possível proteger a sua Carteira de Investimentos.

A diferença entre o Seguro para Carteira de Ações e os seguros convencionais é que você não vai comprar nenhuma apólice.

seguro de carteira de investimentos

Ao invés disso, você vai se expor a ativos que sobem quando o mercado inteiro está caindo. Esses ativos são chamados de ativos de proteção.

O que será feito é investir uma pequena parte do seu dinheiro em ativos capazes de proteger o restante do patrimônio.

Quando algum evento derruba o mercado, o valor dos seus ativos de proteção sobe consideravelmente. Os principais ativos de proteção são as Opções.

O Que São Opções

Existem dois tipos de opções: Call (opção de compra) e Put (opção de venda).

Um investidor que compra Calls tem o direito, mas não a obrigação, de comprar uma ação na data determinada a um preço previamente acordado.

Já um investidor que compra Puts tem o direito, mas não a obrigação, de vender uma ação na data determinada a um preço previamente acordado.

É com Puts que se ganha dinheiro com a queda das ações, já que esse direito se valoriza em função do aumento da demanda pelas opções em momentos de incerteza, por parte dos Investidores que não estavam protegidos previamente.

O interessante das opções é a imensidade de estratégias diferentes que elas permitem, embora neste artigo será abordado apenas a utilização de Puts como Seguro de Carteira de Investimentos.

Dizemos que as Puts funcionam como Seguro, pois não importa até que ponto as ações se desvalorizem, o investidor que comprou Puts sempre terá o direito de vender as suas ações no preço acordado (e a pessoa que lançou essas opções, isto é, que vendeu a ele, será obrigada a comprar as ações neste preço).

Os investidores usam Seguros para as suas ações porque tem confiança na empresa no longo prazo, mas acreditam que podem haver picos de volatilidade no curto prazo, por isso decidem proteger as suas Carteiras de Investimento.

Esse vídeo mostra o funcionamento do Seguro de Carteira de forma bastante interativa e dinâmica.

Fazendo Um Seguro de Carteira de Investimentos

Antes de efetivamente fazer o seu Seguro de Carteira, você precisa decidir se quer proteger todas as ações na sua carteira ou se proteger do risco sistêmico (ou risco de mercado, aquele que não pe diversificável).

Comprar Puts para todas as suas ações pode ser trabalhoso e caro, além da falta de liquidez para opções de diversas empresas da bolsa brasileira.

Sendo assim, para fazer um Seguro de Ações no Brasil, a opção mais simples é comprar Puts do Índice Bovespa (cujo ETF se chama BOVA11). Por mais que o seu portfólio seja diferente do Índice, isso faz sentido porque se acontecer um Cisne Negro, praticamente todas as ações caem, levando o Índice junto com elas.

seguro de carteira

Sendo assim, o Índice tende a possuir um comportamento parecido com a sua carteira de ações.

Se você tiver comprado Puts que dão o direito de vender BOVA11 a um preço determinado, o lançador dessa opção será obrigado a comprar isso de você naquele preço.

Suponha que hoje BOVA11 esteja custando R$ 117,00 e você tenha 1.000 Puts de BOVA11 com preço de exercício em R$ 110,00 e maturidade ao fim de fevereiro.

Se por algum motivo BOVA11 estiver cotado a menos que R$ 110,00 no dia do exercício (maturidade) das suas opções, quem vendeu esse direito para você será obrigado a comprar BOVA11 por R$ 110,00, não importando quão desvalorizado esteja o ativo.

Qual o Custo do Seguro?

Com um Seguro de Carteira, suas eventuais perdas podem ser compensadas, e você ainda pode sair no lucro, mas isso tem um custo e pode sair muito caro no longo prazo.

O risco de lançar uma opção de venda é alto. Nessa situação, a pessoa fica obrigada a comprar as ações a um preço pré-determinado, não tendo conhecimento sobre o que vai acontecer no futuro.

Ninguém assume riscos de graça, por isso, o custo do Seguro de Carteira de Investimentos deve ser levado em consideração.

Cada ação possui um custo diferente para o seu Seguro. Isso acontece em função de dois fatores.

  • Tempo: quanto mais longo for o prazo desejado, mais caro será o seguro, devido ao maior risco envolvido.
  • Risco: quanto mais arriscada for a ação, mais caro será o seu seguro (isso segue a mesma lógica do seguro de carro para homens, solteiros e jovens, que é o tipo de cliente mais arriscado para a Seguradora).

A ideia de proteger a Carteira de Ações contra possíveis catástrofes é muito interessante, mas fazer isso no longo prazo pode estragar a rentabilidade dos seus investimentos (até mesmo neutralizando os ganhos em algumas situações).

Para minimizar os custos, os investidores podem proteger apenas parte da Carteira de Investimento, comprando seguros somente para as posições maiores ou mais importantes dos seus portfólios.

O raciocínio por trás disso é que se as maiores posições estiverem protegidas, você não vai sofrer tanto em caso de um colapso no mercado, diminuindo os efeitos da volatilidade na sua Carteira de Investimentos.

O ideal é comprar Seguros quando o investidor esteja percebendo uma tendência ao aumento do risco no mercado (antes de isso se confirmar), em momentos em que ele esteja se encaminhando para uma correção.

Mas, sem sombra de dúvidas, o melhor momento para fazer Seguros de Carteira de Investimento é quando ninguém quer, isto é, nas situações em que todos estão otimistas com os rumos do mercado. Nessas horas, os preços das Puts são mais baixos.

Diversificação Como Seguro de Carteira de Investimentos: Porque Não é Suficiente

Uma outra forma bem comum de proteger a sua Carteira de Investimentos é através da Diversificação.

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Para entender melhor isso, é necessário saber que existem dois tipos de riscos relacionados ao investimento em ações:

  1. Risco Diversificável: É o risco individual de cada empresa, que pode ser reduzido através da construção de um portfólio com diversas ações
  2. Risco Sistêmico: Consiste no risco de mercado, que inclui aqueles eventos que podem afetar todas as empresas (por exemplo, recessões, crises cambiais, entre outros…), esse tipo de risco não pode ser eliminado.

Sendo assim, a Diversificação ajuda a mitigar o Risco Diversificável, mas não o Risco Sistêmico.

Como falamos antes, a melhor forma de mitigar o Risco Sistêmico é através de Puts do Índice, mas como isso tem um custo, é melhor ser feito quando o investidor percebe que o mercado está indo rumo a um período de correção mais acentuada.

Por último, outra boa opção para proteção é Fazer Caixa, isto é, montar uma reserva de oportunidade em aplicações de renda fixa seguras (como o Tesouro Direto) e usar esses recursos para comprar ações a preços mais baixos quando o mercado estiver em baixa.

Apenas lembrando que opções são derivativos com riscos elevados de perda de capital e devem ser utilizadas por investidores com experiência. Algumas estratégias de opções têm, inclusive, o risco de perda ilimitada de capital, por isso é necessário ter cuidado.