Você já deve ter lido em muitos lugares da Internet sobre a importância de diversificar a sua carteira de ações para diminuir os riscos que está correndo. No entanto, neste artigo você vai entender uma outra visão sobre o tema “Quantas Ações ter na Carteira de Investimentos.

Com certeza colocar todos os ovos na mesma cesta não é algo inteligente, visto que concentra demais os riscos inerentes ao mundo empresarial e ao mercado de ações, dois universos que se interligam.

No entanto, isso é verdade até certo ponto. Existe um limite para a diversificação ser algo positivo para o controle de risco e para a rentabilidade da carteira de investimentos.

Para explicar isso, é bom observar a Teoria de Markowitz, que divide o risco da renda variável em dois:

teoria de markowitz
Teoria de Markowitz

Então, ao investir em ações, existem dois tipos de riscos que você está correndo:

  • Risco Diversificável (ou não-sistemático): É o risco individual de cada empresa, que pode ser mitigado através da diversificação
  • Risco Sistemático: Consiste no risco de mercado, que abrange aqueles eventos que podem afetar todas as empresas (alguns exemplos são pandemias, recessões, crises cambiais e etc…), esse tipo de risco não pode ser eliminado.

Em investimentos, risco e retorno são variáveis dependentes (você não consegue ter bons retornos sem correr algum tipo de risco), então, apesar de ajudar a diminuir a volatilidade, incluir muitas ações na carteira acaba diminuindo também a sua rentabilidade.

Quantas Ações devo ter na Carteira de Investimentos?

Essa é uma das razões pelas quais é interessante escolher a dedo poucas ações, cada uma delas com um racional definido previamente, que gire em torno das perguntas “porque comprei?” e “o que me faria vender?”.

Essa é a principal razão pela qual gosto de manter uma carteira relativamente concentrada, com 6 a 8 ações diferentes.

Claro que isso também depende do tipo de empresa que você gosta de investir. Alguns investidores acabam sendo atraídos pelos “micos”, isto é, ações que parecem muito baratas, mas que são grandes armadilhas.

Por isso, também é necessário incluir o fator de qualidade das empresas (e dos seus negócios) dentro do cálculo de quantas ações ter na carteira de investimentos.

De nada adianta você possuir 8 ações de empresas ruins na sua carteira, é preciso ter um equilíbrio entre ações de empresas com qualidade e ações de empresas que são mais arriscadas.

Além disso, mesmo sendo um investidor de longo prazo, você não precisa ficar “preso” as mesmas ações para sempre, como divulgam muitos influenciadores na internet brasileira hoje em dia.

Convicções podem e devem mudar ao longo do tempo, dependendo de como o cenário se concretize para cada tipo de negócio no futuro, o que acaba criando tanto oportunidades quanto riscos no mercado de ações.

O Problema da Concentração Setorial

Dentro desse número de 6 a 8 ações na carteira, também é importante prestar atenção ao setor de atuação de cada empresa, tendo em vista que a concentração excessiva em determinado setor também cria um risco.

Isso acontece em função de ações do mesmo setor possuírem um elevado grau de correlação entre os seus movimentos. Um bom exemplo disso é o que vemos hoje com o IFNC, um índice que representa as ações do setor financeiro:

ações na carteira

Agora se você observar individualmente as ações dos bancos, irá notar que elas acabam seguindo o comportamento geral do setor, e estão indo bem mal em 2020, com quedas de até 40% em alguns casos específicos.

Por isso, caso você tenha uma carteira de investimentos composta majoritariamente por bancos, provavelmente a sua carteira está com uma performance bem ruim até agora neste ano.

Como Diminuir a Volatilidade da Carteira de Investimentos

Mas então como diminuir a volatilidade resultante de ter poucas ações?

Para isso, é necessário pensar na sua carteira de investimentos além das ações, tendo um mindset de investidor completo.

Como forma de diminuir a volatilidade, busco diversificar entre diferentes classes de ativos (Renda Fixa, Ações, Fundos Imobiliários, ETFs, etc…), ao invés de diversificar muito entre ações em si.

Ter muitas ações, além de diminuir a rentabilidade, torna complexa a questão do monitoramento da situação das empresas.

Em resumo, a moral deste artigo é alertar para o fato de que no mercado de ações é melhor estar certo poucas vezes e pisar fundo nessas situações.

Por mais que pareça mais seguro, ter 20 ou 30 pequenas posições na sua carteira de ações acabaria fazendo com que um grande acerto não tenha um grande impacto absoluto na valorização da sua carteira de investimentos como um todo.

Quer aprender a escolher as Ações certas? Baixe Agora Gratuitamente o nosso Checklist com os 25 Critérios para Escolher as Melhores Ações!