Neste artigo, você vai entender O Que é Value Investing e Por Que Essa é a Filosofia de Investimentos de Maior Sucesso na História.

Value Investing, no seu conceito original, consiste em comprar ações que negociam abaixo do seu Valor Intrínseco, em outras palavras, o maior objetivo dos Investidores de Valor é encontrar empresas cujas cotações estejam muito baratas.

Na maioria das vezes, esse desconto no preço da ação pode estar acontecendo por uma série de fatores ruins, mas que não são capazes de influenciar no sucesso a longo prazo.

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O Value Investing usa como ideia máxima a famosa expressão “compre na baixa, venda na alta ”, mas indo até um pouco além: em algumas situações, você pode criar modelos para determinar o preço exato que uma ação significa uma grande oportunidade, baseada nos seus fundamentos atuais (isso vai ser abordado um pouco mais para frente).

O Investidor de Valor é ao mesmo tempo agressivo e conservador. A sua preferência é comprar negócios bons e sólidos em momentos ruins e (geralmente) passageiros, quando as incertezas derrubam os preços das ações.

Nunca duvide das incertezas, o mercado é muito mais medroso do que parece. Basta apenas um tweet do presidente Americano, Donald Trump, e começa uma queda generalizada nas ações no mundo inteiro.

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É impossível entender o que é Value Investing sem primeiro entender o que é Margem de Segurança

O Conceito Central: Margem de Segurança

A diferença entre o preço de mercado (cotação da ação) e do seu valor intrínseco é chamada de Margem de Segurança. Se as ações de uma companhia negociam a R$ 7,50, mas possuem o valor intrínseco de R$ 10,00 (valor justo), a Margem de Segurança nessa situação é de 25%.

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Margem de Segurança consiste em uma espécie de proteção para minimizar as perdas em casos de ter havido um erro na estimativa do valor intrínseco.

O benefício central da Margem de Segurança dentro do Value Investing é uma opcionalidade em relação aos preços de uma ação no futuro, que são imprevisíveis (principalmente em empresas com problemas), presumindo uma proteção em caso dos lucros futuros serem menores do que os lucros passados, fornecendo proteção ao investidor.

Warren Buffett possui uma frase ótima para explicar com clareza este conceito:

Você precisa ter experiência para possibilitar o entendimento sobre o valor dos ativos de uma companhia. Isso é exatamente o que Ben Graham falava sobre Margem de Segurança. Você não compra negócios que valem $83 Milhões por $80 Milhões, você deixa uma margem enorme. Quando você constrói uma ponte, você insiste que ela aguenta 30,000 libras de peso, mas você não passa com mais de 10,000 libras de peso por ela. Esse conceito funciona da mesma forma com investimentos.

Dependendo do negócio e do tipo de problema que ele está enfrentando, a Margem de Segurança pode variar: negócios mais arriscados requerem uma Margem de Segurança maior, assim como negócios menos arriscados demandam uma Margem de Segurança menor.

No entanto, existem alguns negócios que nem mesmo uma altíssima margem de segurança significa segurança, literalmente.

Isso acontece porque existem problemas estruturais com a empresa e seu modelo de negócio, como por exemplo, uma empresa que está em declínio (lucros em queda constante), como é o caso da Cielo.

Ninguém em sã consciência compraria uma maçã podre só porque ela está custando um terço do seu preço original. Esse mesmo raciocínio se aplica a negócios e suas ações.

Uma boa Margem de Segurança ajuda você a não perder dinheiro no mercado, por isso, antes de investir em uma ação observe se o preço da ação está descontado frente aos ativos da companhia, dando preferência aos tangíveis (estoque, imóveis e outras propriedades), frente aos intangíveis (marcas e patentes).

Benjamin Graham, um dos “pais” do Value Investing, criou uma fórmula para quantificar a Margem de Segurança, estimando o Valor Intrínseco das companhias.

Value Investing e Graham

Benjamin Graham foi o mentor de Warren Buffett no mundo dos investimentos e também escritor do livro O Investidor Inteligente (uma espécie de Bíblia para os investimentos em ações, se você quer se destacar investindo, PRECISA ler esse livro).

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Graham nasceu no final do Século XIX, nos Estados Unidos. Quando jovem, viveu durante períodos extremamente conturbados, que incluíram a Primeira Guerra Mundial e a Grande Depressão. Fez uma carreira de sucesso em Wall Street e permanece lecionando na Universidade de Columbia até a sua morte, em 1976.

Durante os anos na Universidade, conheceu e ensinou Warren Buffett, que viria a ser o maior investidor de todos os tempos.

Como já foi dito antes, a principal lição de Graham para os investidores é a questão da impossibilidade de prever o que vai acontecer no futuro, o que cria a necessidade de possuir uma Margem de Segurança.

Pensando nisso, ele criou uma fórmula para estimar o valor intrínseco e observar se existe ou não Margem de Segurança suficiente para investir em um determinado negócio.

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Originalmente, a fórmula consistia em multiplicar os Earnings Per Share (ou Lucros Por Ação) por 8,5 (Preço/Lucro De Uma Ação Com 0% De Crescimento) mais 2 vezes G (uma constante estimada de crescimento dos lucros para os próximos 7 a 10 anos) vezes 4.4 (número que Graham considerava uma taxa mínima de retorno requerida por ele).

No entanto, como ele criou essa fórmula há algumas décadas atrás, em um mundo completamente diferente, algumas adaptações tiveram de ser feitas, com o intuito de moldar a fórmula para a realidade atual:

  • Substituiu-se o P/L de uma ação com 0% de crescimento para 7,00 (ao invés de 8,5)
  • Substituiu-se o multiplicador da taxa G para 1 (ao invés de 2)
  • Adicionou-se um denominador Y, que é a Taxa de Juros Atual (com o intuito de atualizar o retorno anual requerido por Graham na época para os dias de hoje)

Em suma, o método de investimento de Benjamin Graham (ou a versão 1.0 do Value Investing) consistia em:

  • Comprar empresas cujas ações estivessem descontadas em relação ao valor intrínseco dos ativos da companhia (dando preferência para ativos tangíveis em detrimento de intangíveis)
  • Substituir as ações atuais (quando alcançassem o seu valor intrínseco) por novas barganhas
  • Não ter medo de segurar dinheiro em caixa até aparecer novas oportunidades de investimento relevantes.
  • Dar preferência para companhias com gestão competente (e que também seja acionista do negócio)
  • Em um contexto no qual ativos estão se valorizando, investidores precisam evitar o impulso de pagar muito caro por ativos que não valem tudo isso, já que se houver uma queda brusca, não haverá Margem de Segurança suficiente para evitar a perda de valores altos.

Value Investing e Warren Buffett

Inicialmente, Warren Buffett era um louco por preço, não gostava de pagar caro, independentemente de quão boa fosse a empresa, era um Investidor de Valor que se enquadrava bem mais no conceito formulado por Benjamin Graham.

Depois que conheceu Charlie Munger, o seu melhor amigo, ele mudou o seu estilo de investimento para o que utiliza hoje.

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Ele ainda foca em preço, mas a qualidade dos negócios começou a entrar bem mais no racional por trás das suas teses de investimento, tanto é que sua maior posição está na Apple, uma empresa que nunca esteve com múltiplos baixos, mas que tem qualidade inegável.

Basicamente, eles acreditam que vale a pena comprar uma ação que está cara hoje (com múltiplos elevados), mas tem grande potencial de lucratividade para estar barata em 5 anos.

Falando agora sobre o método de Warren Buffett, ele é extremamente simples, mas muito efetivo, justamente por poucas empresas se encaixarem nos critérios que ele segue.

A Berkshire Hathaway, a empresa de Buffett, possui participação acionária relevante em dezenas de empresas de capital aberto e fechado nos Estados Unidos, tem no seu próprio site um checklist com os critérios que norteiam os seus investimentos em ações.

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Traduzindo fica mais ou menos assim:

Nós queremos ouvir dos nossos associados sobre negócios que atendam aos seguintes requisitos:

  1. Compras grandes (ao menos $75 milhões de EBITDA ou se a empresa for se encaixar dentro de uma das nossas subordindadas)
  2. Tenha demonstrado poder consistente de geração de lucros (projeções futuras não são de nosso interesse, assim como situações de “turnaround”)
  3. Empresas que tenham alto Retorno Sobre Patrimônio Líquido e pouca ou nenhuma dívida
  4. Gestão em ordem (nós não queremos fornecer isso)
  5. Modelos de Negócios simples (se envolver muitas tecnologias, não vamos entendê-lo
  6. Um preço definido (não queremos perder o nosso tempo ou o do vendedor em uma transação em que não sabemos o preço)

Tirando os itens 1 e 6, que são mais aplicáveis a grandes investidores, os outros quatro critérios podem e devem ser utilizados para um investidor que quer comprar ações para o longo prazo.

Quando você compra uma ação com um propósito verdadeiro e bem argumento, isto é, com uma tese sólida de investimento, não existe “efeito manada” que possa fazer você mudar de ideia.

A mentalidade de manada é muito forte dentro do mercado. Quando o pânico se instala entre os investidores, começa uma venda generalizada de ações, muitas vezes sem um motivo estrutural que seja relevante para o futuro das empresas.

Esse tipo de situação é a melhor oportunidade possível para os Investidores de Valor. Comprar enquanto todos estão com medo e os preços estão baixos, afinal, o objetivo do Value Investing é comprar negócios e não ações.

Agora que você já sabe o que é Value Investing, quer entender toda a lógica por trás da escolha de ações vencedoras na bolsa de valores? Descubra os 41 Segredos que NINGUÉM te conta sobre isso