Analisar uma ação é uma coisa que parece complexa para a grande maioria das pessoas. Por isso, neste artigo, você vai aprender Como Analisar Uma Ação de maneira simples e descomplicada.

Se você ainda não sabe, ações são instrumentos financeiros que equivalem a partes de empresas, por isso, é importante entender que por trás de toda a especulação dos mercados, existem empresas.

Essas empresas possuem operações grandes, bem organizadas e faturam praticamente 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana), isso porque só as melhores e maiores empresas chegam até o IPO e abrem o seu capital na Bolsa de Valores.

Muitas pessoas espalham informações falsas de que os mercados são aleatórios e equivalem a apostar em um cassino. O mundo das ações é mais do que apenas gráficos e especulação. No fim das contas, é o verdadeiro mundo de negócios.

Assim, no longo prazo, as cotações das ações seguem os lucros das empresas, por isso é importante entender o que de fato você está comprando ao investir em uma ação.

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Lucros Por Ação (em Laranja) vs Preço da Ação (em branco) – Lojas Renner

Portanto, ao analisar uma ação, o objetivo principal deve ser entender para onde os lucros da empresa vão ir no futuro.

Se você sabe que eles vão aumentar, certamente o preço das ações tende a seguir isso (caso não siga, pode estar ocorrendo uma oportunidade de compra, através da Estratégia de Value Investing).

O Que Saber Antes De Investir Em Ações

Por serem um investimento variável, cujo resultado depende da performance da empresa em questão no mundo real, que é cheio de incertezas, as ações possuem volatilidade e risco de perda integral do capital investido.

Por isso, pelo bem do seu dinheiro, é importante saber analisar uma ação antes de comprá-la.

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Se você ainda não investe em ações, seja porque acha arriscado demais ou porque não conhece direito, talvez seja melhor começar pelas Ações de Dividendos, já que elas tendem a possuir menor volatilidade que as demais (e também porque pagam uma boa remuneração através dos proventos).

Como já foi dito, a mentalidade de cada Investidor é o que separa a Bolsa de Valores de um Cassino.

Por trás das flutuações e da especulação relacionadas as ações, existem empresas, que empregam pessoas, produzem e vendem bens e geram lucro.

Como Analisar Empresas Na Bolsa De Valores

Existem alguns aspectos específicos que precisam ser observados na hora de analisar uma ação. Para isso, é importante sempre consultar os sites de Relações com Investidores das empresas e buscar pelo máximo de informações possíveis sobre o negócio.

Análise Interna, o que essa companhia faz:

Quais os produtos/serviços que a empresa oferece? Você precisa saber como a companhia entrega valor para a sociedade, o que ela oferece. Também, é preciso entender se existe demanda para isso no momento.

O negócio que a empresa opera existirá daqui a 5 ou 10 anos? Nunca é bom investir em empresas que estão em um setor que passa por um processo de declínio.

O Petróleo tende a ser substituído no futuro

Você precisa estar com as empresas que serão as protagonistas do futuro, assim, elas vão conseguir lucros crescentes e remunerar os acionistas através de dividendos e ganho de capital com o crescimento do valor das ações.

Quem são os seus clientes? Descubra se a empresa fornece produtos/serviços para outras empresas (B2B), para os consumidores (B2C) ou ainda para outras empresas, que então fornecem para os consumidores (B2B2C). Além disso, muitas vezes é possível saber qual é a porcentagem da receita que está ligada a um cliente específico (geralmente no caso de empresas B2B que possuem grandes clientes).

Qual é o seu posicionamento no mercado? Entenda se a empresa que você está analisando busca competir com os seus concorrentes através de diferenciação, liderança em custo ou foco em um nicho, isso pode ser determinante para as margens de lucratividade do negócio, que são muito importantes para o acionista.

A empresa possui margens de lucro estáveis ou crescentes? Um investidor que se preze não quer estar em um setor em que há guerra de preços, isto é, que todas as empresas fabricam os mesmo produtos com pouca ou nenhuma diferenciação cujos preços definem totalmente a intenção de compra (commodities).

Quais são os planos da empresa para o futuro? Descubra se existem projetos de inovação, com o desenvolvimento de novos produtos ou parcerias-chave com outras empresas, que tenham potencial de alavancar os lucros no futuro próximo.

Análise Externa, o mercado que essa companhia está:

A empresa está em um setor com barreiras de entrada relevantes? Barreira de entrada é tudo aquilo que impede que uma companhia concorrente replique os produtos da outra.

Todo o negócio que é bom atrai competidores, por isso, é fundamental que as empresas possuam barreiras de entrada para proteger o seu mercado dos novos entrantes.

Se você olhar a participação da empresa líder no setor, pode facilmente descobrir se existem barreiras de entrada.

Por exemplo, a Ambev possui há anos mais ou menos 70% do mercado nacional de cervejas, então provavelmente existe algo que impede os concorrentes de entrarem nesse setor.

Quando uma companhia perde as suas barreiras de entrada, o resultado é trágico.

Existe uma ameaça direta de produtos substitutos?: Assim como o Netflix quebrou todas as locadoras de filmes, você precisa observar o mercado e entender se existe alguma ameaça de um produto substituto que pode afetar a lucratividade da empresa na qual pretende investir.

O setor está em uma guerra de preços?: Esse é aquele tipo de situação em que todos os competidores começam a baixar os preços para tentar vender mais, o problema é que isso afeta os lucros de maneira generalizada (e já vimos antes que eles são fundamentais para determinar para onde vão as cotações)

Existe algum risco legal que pode impactar a empresa?Algumas empresas possuem ações legais correndo na justiça cujo desfecho pode impactar significativamente o negócio, gerando riscos, que precisam ser observados pelo investidor.

Indicadores Para Encontrar Empresas Rentáveis

Nem sempre analisar as margens de lucro diz tudo sobre a rentabilidade de uma companhia. Para ajudar nisso, existem 3 indicadores que possibilitam que o investidor entenda claramente a rentabilidade de um negócio. São eles:

Return On Assets (ROA):

É o chamado Retorno sobre o Ativo, que mede a eficiência na geração de lucros de uma companhia com base nos seus ativos totais, antes dos efeitos da alavancagem, isto é, sem contar o uso de capital de terceiros.

ROA = Lucro Operacional/Ativo Total

A interpretação desta fórmula consiste em quanto a empresa gera de lucro por cada R$ 1,00 investido nos seus ativos. Para conseguir calcular, utilize o EBITDA (Lucro Operacional) anual da empresa

Return On Invested Capital (ROIC):

É o chamado Retorno Sobre o Capital Investido. Capital Investido consiste na soma entre a dívida líquida e o patrimônio líquido da empresa.

ROIC = EBIT(1-Alíquota de Impostos)/(Dívida Líquida + Patrimônio Líquido)

O resultado deve ser interpretado sob a forma de porcentagem. Essa equação dá a ideia de quão bem a empresa está usando a alocação de capital para maximizar a rentabilidade do negócio

Return On Equity (ROE):

É o Retorno sobre o Patrimônio Líquido, um dos indicadores mais famosos da análise fundamentalista, que mede a lucratividade sobre a perspectiva do investidor que tem ações da empresa, relacionando o lucro líquido após impostos e despesas de juros ao valor contábil do patrimônio líquido.

ROE = (Lucro após IR x 100)/Patrimônio Líquido

O resultado da equação é uma porcentagem usada para medir o quão eficiente uma empresa é para a capacidade de geração de lucros. A interpretação desta fórmula consiste em quanto de retorno a empresa gerou por cada R$ 1,00 investidos pelos acionistas.

Através desses 3 indicadores, é possível comparar empresas do mesmo setor ou de setores diferentes. No entanto, esses indicadores NUNCA devem ser utilizados sozinhos, mas sim em conjunto com outros, com o intuito de dar suporte à tomada de decisão sobre um investimento.

Analisando O Que Não Está Nos Números

Nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado – William Bruce Cameron

Os humanos tendem a supervalorizar os números, aquilo que é quantificável, mas em muitas situações, o que realmente importa não é quantitativo.

Ao analisar uma ação não poderia ser diferente, os números também são geralmente supervalorizados.

A Internet possibilitou que os investidores tenham acesso a muitos números: margens de lucro, retorno sobre o capital, despesas com vendas, receitas, alíquotas de imposto, market-share, custo da dívida, entre outros.

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People experience new Apple’s iPhone XS and iPhone XS Max during a media tour at an Apple office in Shanghai, China September 21, 2018. REUTERS/Aly Song – RC1E5DE4EB70

O problema é que as empresas são muito mais do que números. Se não houver pessoas chegando para trabalhar todos os dias de manhã, é impossível manter a operação funcionando corretamente, consequentemente, não há receita e as contas se acumulam.

Quando você investe em uma ação, está colocando o seu patrimônio na mão das pessoas que tomam as decisões naquele negócio. Decisões que se provem erradas ao longo do tempo vão afetar o seu dinheiro.

Investidores pequenos, que estão fora do cotidiano das empresas, não conseguem avaliar se os gestores são competentes. Para superar esse problema, o que resta é observar o track record, também conhecido como histórico de gestão.

Nessa hora, é bom avaliar os últimos negócios que foram celebrados pela empresa e também o que os analistas e o público dizem nas redes sociais, principalmente no Twitter.

Por incrível que pareça, alguns acionistas controladores e executivos já possuem uma “fama” dentro do mercado, justamente em função de erros que cometeram no passado. Ninguém quer estar perdido no meio de um Conflito de Interesses entre grandes acionistas.

Por último, outra maneira é comparar a Rentabilidade Sobre o Capital Investido (ROIC) da empresa com o ROIC do concorrente mais próximo. Se houverem diferenças significativas, a gestão está errando.

O investidor que analisa apenas dados quantificáveis, corre o risco de deixar passar excelentes oportunidades de investimento.

Alavancagem

Alguns investidores, no meio de toda a euforia do mercado, acabam comprando ações de empresas sem qualidade, que são frágeis. Por frágeis, entende-se alavancadas.

Alavancagem consiste em uma estratégia em que se toma capital emprestado de terceiros para aumentar o retorno potencial do investimento em projetos. O problema é que os projetos das empresas são incertos, eles podem nunca entregar o que a empresa previu.

No entanto, se os projetos derem certo ou não, os empréstimos precisam ser pagos à instituição financeira, caso contrário, esses agentes sempre encontram uma maneira de receber o seu dinheiro, por bem ou por mal.

Se a empresa souber utilizar as estratégias de alavancagem, não há problema nenhum, até porque elas servem para maximizar o retorno dos investimentos, o que é ótimo para os acionistas, já que a empresa está basicamente fazendo dinheiro com o dinheiro dos outros.

Ao analisar uma ação, para avaliar o grau de alavancagem de uma empresa, é comum utilizar o Nível de Endividamento, que pode ser conhecido através da fórmula

Nível de Endividamento = Dívida Líquida/EBITDA

Nessa equação, a Dívida Líquida compreende a Dívida Total da Empresa menos as suas disponibilidades em Caixa ou Equivalentes. Já o EBITDA representa o resultado operacional da empresa, ou seja, o que ela conseguiu gerar de valor agregado durante os últimos 12 meses.

Com base no resultado do Nível de Endividamento, podemos avaliar a alavancagem:

  • Um Nível de Endividamento menor ou igual a 2x é confortável;
  • Um Nível de Endividamento maior que 2x e menor 3,5x é aceitável;
  • Um Nível de Endividamento maior que 3,5x é preocupante (sendo que quanto maior for, mais frágil é a posição atual da empresa)

Esse nível de endividamento varia muito conforme o setor de atuação da empresa:

  • Em setores cujas receitas são estáveis e previsíveis, é comum e saudável as empresas possuirem uma alavancagem um pouco mais alta (já que sabem que vão conseguir arcar com essas despesas), como é o caso do Setor Elétrico.
  • Em setores cujas receitas são imprevisíveis e dependem de variáveis que não estão sob o controle das empresas, a alavancagem é perigosa, pois os projetos possuem maiores incertezas. Isso acontece muito no setor de Exploração de Petróleo, pois se trata de uma commodity cujo preço varia a todo momento no mercado internacional, sendo que variações muito negativas podem inviabilizar projetos em que já foram investidos recursos, gerando um enorme prejuízo.

Encontre o Seu Jeito de Analisar Uma Ação

Com esses critérios, certamente você consegue analisar uma ação de maneira completa, no entanto, se ainda tiver dificuldades para encontrar as ações certas, você precisa entender os 41 Segredos Para Comprar Ações Vencedoras.