Muitos investidores novos (e também alguns mais experientes) estão em dúvida se o ETF BOVA11 Vale a Pena Em 2020.

Os investidores que utilizam a Hipótese dos Mercados Eficientes como premissa para Investir geralmente preferem utilizar a estratégia de Investimento Passivo (com gestão passiva), nesse sentido, o BOVA11 é um excelente aliado.

No entanto, devido a um cenário específico que está acontecendo no Brasil, investir apenas no ETF BOVA11 pode não ser a melhor decisão para obter os melhores retornos no contexto atual.

Vamos entender as razões por trás disso…

O Que é BOVA11

Primeiro, é preciso entender o que é um Exchange Traded Fund (ETF).

Os ETFs são fundos de ações que tem como referência algum índice de bolsa de valores.

Todos os índices das bolsas de valores são compostos por uma carteira teórica, que compreende as empresas listadas e a sua participação no índice, dependendo de critérios que variam de uma bolsa de valores para a outra.

Quando você investe em um ETF, o gestor usa esse dinheiro para comprar as ações que compõem a carteira teórica do índice em questão.

Por esse trabalho e pela administração dos recursos, os ETFs possuem uma taxa de administração (atualmente, a taxa de administração do BOVA11 é 0,30% ao ano).

Conforme o cenário atual, o gestor tem a liberdade de comprar ou vender ações, mas mantendo o portfólio em linha com o índice. O patrimônio de um ETF é dividido em cotas, que são negociadas nas bolsas de valores durante os pregões.

Sendo assim, a performance do ETF tende a seguir a performance do índice.

Por sua vez, o BOVA11 é um Exchange Traded Fund que replica a carteira teórica do Índice Bovespa (IBOV). Na verdade, o nome formal desse ETF é iShares Ibovespa Fundo de Índice e ele é administrado pela gestora americana BlackRock.

O BOVA11 foi lançado no fim de 2008 e é o ETF com maior volume de negócios dentro da bolsa de valores brasileira.

Ainda existem poucos ETFs disponíveis no Brasil, mas embora esse mercado seja pequeno, ele tem ganhado espaço, visto que nos últimos anos o volume de negócios dos ETFs vêm aumentando bastante.

As maiores vantagens dos ETFs são:

  • Diversificação: você tem acesso a um número grande de empresas através de um único veículo de investimento.
  • Reinvestimento: quando alguma das ações da carteira paga Dividendos, esses proventos são automaticamente reinvestidos (o que ajuda na valorização do patrimônio do investidor no longo prazo).
  • Simplicidade: é muito mais fácil comprar apenas um ativo que inclui dezenas de outros ativos do que ter que comprar uma por uma das ações.
  • Custo: imagine quanto custariam as taxas de corretagens para comprar dezenas e mais dezenas de ações diferentes… com o ETF, você paga apenas uma taxa de corretagem para comprar diversas ações.

Agora em relação as desvantagens, a maior delas é que qualquer venda de cotas de um ETF com lucro sofre incidência de Imposto de Renda (os ETFs não possuem a isenção para os R$20.000 em vendas mensais, ao contrário das ações).

No Brasil, eles ainda estão em um estágio inicial, no entanto, no Mercado de Ações Americano é possível construir uma gama enorme de estratégias usando apenas ETFs.

BOVA11 Composição

De acordo com a gestora BlackRock, na data de 16 de janeiro de 2020, a carteira do BOVA11 era composta por 75 ações diferentes.

Na tabela abaixo, você pode observar detalhadamente quais são os ativos que compõem a carteira e a sua devida participação nela:

bova11 composição
Composição do BOVA11 – Fonte: BlackRock

No entanto, essa própria composição pode ser o maior problema por trás do Investimento em BOVA11…

Porque BOVA11 Não Vale a Pena

Para 2020, na opinião pessoal deste que escreve, o BOVA11 pode não ser o melhor veículo para os investidores que querem se expor as ações brasileiras.

Se formos observar, o Índice Bovespa é altamente concentrado em Petrobras, Vale, B3 e nos Grandes Bancos.

A consequência direta disso é que o BOVA11, que replica a carteira teórica do Índice Bovespa também se torna concentrado, como é possível observar no gráfico abaixo:

bova11 vale a pena
Composição do BOVA11 – Fonte: BlackRock

Aproximadamente 45,4% do BOVA11 está concentrado em Petrobras, Vale, B3, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Itaúsa (que é a holding que controla Itaú). Logo, é improvável que o índice consiga subir se essas ações não subirem.

Isto é um problema devido às situações enfrentadas por essas empresas, principalmente em função de mudanças no ambiente competitivo:

  • Petrobras: foi atingida em cheio pela crise do petróleo, que despencou para patamares extremamente baixos
  • Vale: desde o desastre de Brumadinho, as ações da Vale estão praticamente andando de lado, resultado da perda de confiança de investidores (principalmente estrangeiros) na empresa.
  • Itaú (e Itaúsa), Bradesco e Banco do Brasil: os grandes bancos estão ameaçados pelas fintechs, que reviraram a dinâmica do setor bancário. Nos próximos anos, devemos ver uma queda nos lucros desses bancos, e como as cotações das ações andam juntas com os lucros, as ações dos bancões não devem ter as melhores performances.
  • B3: a B3 é um monopólio protegido por barreiras regulatórias, mas que com o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, tem tudo para ganhar algum concorrente logo menos, fato que certamente terá impacto nas ações da empresa.

Além da concentração, o Índice Bovespa é bastante cíclico.

As ações de Vale, Petrobras, Usiminas, CSN e Gerdau, que juntas formam parte relevante do índice são bastante afetadas pelos preços das commodities (matérias-primas), no caso o Petróleo e o Minério de Ferro.

bova11 ou smal11
O BOVA11 é bastante relacionado com os Ciclos das Commodities

Quando os preços das commodities estão em um ciclo de alta, essas ações seguem essa tendência. No entanto, nos momentos de baixa nos preços das commodities, essas ações sofrem bastante.

No entanto, como o ETF precisa manter a carteira teórica, ele acaba sendo obrigado a comprar essas ações quando elas sobem muito e sendo obrigado a vender quando elas estão em baixa, um comportamento nada inteligente.

Enfim, devido a todos esses aspectos, não são as maiores empresas que devem ter as melhores performances em 2020 (e talvez nos próximos anos também), mas sim as menores, chamadas também de Small Caps.

Felizmente, os Investidores também podem se expor as Small Caps brasileiras através de um ETF, o SMAL11.

BOVA11 ou SMAL11

A BlackRock também oferece o ETF que segue as principais Small Caps brasileiras, ele é o iShares BM&FBOVESPA Small Cap Fundo de Índice, também conhecido como SMAL11.

O SMAL11 é bem menos concentrado que o BOVA11, como é possível observar na tabela abaixo:

SMAL11 Composição
Composição do SMAL11 – Fonte: BlackRock

Como é composto por Small Caps, naturalmente o SMAL11 é mais volátil que o BOVA11 (e também um pouco mais arriscado) e tende a ir melhor nos momentos positivos para o mercado e pior quando o mercado vai mal.

Se você quiser saber mais sobre essas diferenças entre SMAL11 e BOVA11, esse vídeo explica de forma bem detalhada:

BOVA11 Vale a Pena Ou Não Em 2020

Portanto, para finalizar, qual o veredito sobre se BOVA11 Vale a Pena Ou Não Em 2020?

Com base em todos os argumentos citados neste artigo, acredito que BOVA11 não seja o melhor ETF para surfar a onda do mercado de alta que estamos vivendo.

O melhor caminho tende a ser o StockPicking (escolher ações individuais) ou entrar em um bom fundo de ações com gestão ativa.

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